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sábado, 26 de setembro de 2015

Como um mictório comum se transforma em obra de arte e como este mudou os rumos da arte?





         Quem nunca ouviu falar da obra de arte “Fonte”, de Marcel Duchamp? Ouvir falar, muita gente ouviu, mas entender o seu propósito, sentido e sua importância no mundo das artes…hum… aí complica…
         Por que raios Duchamp foi até o nº 118 da quinta avenida, acompanhado de seus amigos Joseph Stella e Walter Arensberg, no estabelecimento comercial de J.L. Mott, um especialista em encanamentos e compra um mictório modelo Bedfordshire??

         A resposta encontrei lendo o livro Isso é Arte?, de Wil Gompertz e vou partilhar com vcs este conhecimento que particularmente mudou e muito minha cabecinha!!! Confesso que sempre me deparava com “Fonte” em diversas publicações, livros, tirinhas, etc etc etc e não sabia o que era “aquilo”. Era uma obra familiar, ou melhor, um objeto familiar, mas totalmente descontextualizado para mim! Como se tivesse um mictório perdido em meio as minhas lembranças das obras de arte de  Monet, Rembrand, Rodin, Degas, Caravaggio, Man Ray, Joseph Stella, Joel Piterwithikin, Irina Ionesco…  entre meus parcos conhecimentos artísticos. Talvez o objeto estivesse tão aceito internamente em mim, que nunca pensei em questioná-lo, compreendê-lo. Aliás, não só isso, mas vulgarizado, a ponto de passar imperceptível aos meus questionamentos, como se fosse mais um objeto qualquer disposto em minha mesa de trabalho. Que horror admitir isso!!!! Meu Deus!! A caveira de Duchamp deve estar se chacoalhando - e muito! - com esta minha confissão! Não sei se de pesar escandaloso, mas provavelmente de rir, pois ao contrário de muitas pessoas, não olhava para Fonte com a seriedade e reverência que ela causa hoje em nós, filhos da contemporaneidade.
         Não é porque determinada obra de arte é familiar aos nosso olhos, que verdadeiramente a conhecemos e introjetamos seu sentido/propósito a ponto dela causar uma metanóia! Pra mim é isso: arte bem digerida causa metanóia. Ou no mínimo certa emoção!
         Confesso que depois que aprendi que Fonte levou o conceito readymade num  nível confrontador, segundo as próprias palavras de Gompertz, nunca mais vi um objeto como via antes, inclusive faço uma releitura mental de vários readymade que encontrei ao longo dos meus 36 anos e nunca me dei conta!


         Então vamos compreender porque Fonte se tornou a obra de arte mais influente criada no seculo XX:

         Primeiramente, é preciso nos localizar na linha do tempo: 2 de abril de 1917, o presidente norte-americano Woodrow Wilson exorta  o Congresso a fazer uma declaração formal de guerra à Alemanha, um ano antes de acabar a Primeira Guerra mundial. Nasce Ella Fitzgerald e morre Bufalo Bill, Cleopatra, de J. Gordon Edwards, com Theda Bara é estreado nos cinemas. Em 13 de maio ocorre a primeira de seis aparições de Nossa Senhora a três crianças, em Fátima - Portugal. Aqui em terras brasilis, a IBM abre a sua primeira filial na América Latina, Pixinguinha e João de Barro compõem Carinhoso e em praticamente no resto do mundo… Guerra.

http://www.gisele-freund.com/men-of-letters-surrealists

         Em 1917, nos Estados Unidos, o conservadorismo da National Academy of Design era asfixiante para o desenvolvimento da arte moderna em sua plenitude.  Até aquele momento, o meio – tela mármore, madeira ou pedra – havia ditado o modo como o artista iria ou poderia abordar a feiura de uma obra. O meio sempre vinha primeiro, e só depois era permitido ao artista projetar suas idéias sobre ele, como pintura, escultura ou desenho.
         O francês Marcel Duchamp queria inverter isso, considerava o meio secundário: o primordial era a idéia, só depois de ter escolhido um conceito artista estava apto a escolher um meio que lhe permitisse expressar sua idéia de maneira bem sucedida. E se isso significasse usar um mictório de porcelana, tudo bem!
         Outra opinião muito disseminada – até os dias de hoje… por incrível que pareça… - que Duchamp queria desmascarar como falsa e considerava um disparate: a de que artistas são de certo modo uma forma  mais elevada de vida humana. Que merecem o status elevado que a sociedade lhes confere por supostamente possuírem inteligencia, perspicácia e sabedoria exepcionais. “Os artistas se levam e são levados a sério demais! (momento “eu estou amando muito Duchamp!!!” Momento “como não achá-lo excepcional mediante tal perspicácia!?? Momento “fiquei confusa”.)
         E não pára por aí!!! Ele queria não só desafiar o establishment artístico do país, como testar a fidelidade ao ideal da Sociedade dos Artistas Independentes, o qual ele fazia parte como diretor e membro do comitê organizador!
         Tá, ir contra a voz autoritária da National Academy of Design e suas idéias estreitas e tacanhas, ok, compreendido. Mas… pra que desafiar a Sociedade dos Artistas Independentes, da qual ele era membro???   

         A Sociedade dos Artistas Independentes tinha como propósito combater a National Academy of Design com um conjunto novo de princípios, liberal e preogressista: declarava que qualquer artista poderia se tornar membro da Sociedade a preço de 1 dólar, e que qualquer artista membro poderia inscrever duas obras para a Exposição dos Artistas Independentes, contando que pagasse a taxa adicional de 5 dólares por arte.
         Ele estava provocando os colegas diretores e o regulamento da organização, (que ajudara a redigir!), desafiando-os a serem fiéis ao ideal que haviam coletivamente estabelecido!







        


        Marcel Duchamp tinha uma idéia em que já vinha trabalhado há alguns anos, desde que prendera a roda de uma bicicleta e seu garfo dianteiro a um banco em seu ateliê ainda na França. Ao chegar aos Estados Unidos, comprou uma pá para neve  e gravou uma inscrição sobre ela antes de pendurá-la no teto pelo cabo. Assinou “from”e não “by” Marcel Duchamp, deixando bastante claro seu papel no processo: aquilo era uma idéia “vinda de” um artista em contraposição a uma obra de arte  “produzida por” um artista. Chamou esta nova forma de fazer arte de “readymade”: uma escultura já pronta.


         Ele acreditava ter inventado uma nova forma de escultura: uma em que o artista podia selecionar qualquer objeto produzido em massa sem nenhum mérito estético óbvio e, libertando-o de sua finalidade funcional - em outras palavras tornando-o inútil -, dando-lhe um nome e mudando o contexto e o angulo do qual seria visto normalmente, transformando-o numa obra de arte de fato. Foi isso que Marcel Duchamp fez com o bendito mictório Bedfordshire!
         Após comprá-lo, leva-o a seu ateliê e assina-o numa posição em que este parece estar de cabeça para baixo. Entretanto, não assina seu nome, e sim o pseudonimo “R. Mutt 1917” e o intitula de Fonte. Voilà!!! Está pronto o readymade mais importante da história da arte!!!



         A escolha do mictório está repleta de simbolismos complexos assim como a mente de Duchamp, o caráter erótico – aspecto  que ele explorou vastamente em suas obras ao longo da vida, o questionamento da própria noção do que constituía uma obra de arte tal como decretada por acadêmicos e críticos, que via como árbitros autoescolhidos e em geral não qualificados do gosto. Cabia ao artista decidir o quera e não era um a obra de arte! Ou seja, se um artista dissesse que tal coisa era uma obra de arte, tendo interferido em seu contexto e significado, ela era uma obra de arte! Princípio fundamental do readymade!
        
         A idéia era simples de compreender, mas causaria uma revolução no mundo das artes.

         Outro simbolismo interessante, se refere a assinatura do suposto autor da obra R. Mutt, que faz alusão as histórias em quadrinho “Mutt e Jeff” publicado no San Francisco Chronicle, 1907, Mutt era um personagem imbecil, totalmente motivado pela cobiça, sempre fazendo planos absurdos para enriquecer rapidamente e viciado em jogos. Para Duchamp, Fonte era uma crítica aos colecionadores gananciosos e especuladores, também para os diretores de museu ignorantes e pomposos.
         Já o “R.”do pseudônimo R. Mutt, representa Richard, um coloquialismo francês para “Sacos de dinheiro”.

         Chegou o grande dia, o de entregar a Fonte no saguão do salão de exposições. A reação imediata foi nojo e consternação, a peça foi considerada ofensiva e vulgar por se tratar de mictório, um tópico não apropriado para a discussão entre a classe média puritada dos Estados Unidos. Além dissso, a diretoria que condenava a obra, achava que  sr. R. Mutt estava zombamdo deles! E estava!
         Mesmo com os 6 dólares pagos a Sociedade dos Artistas Independentes, Fonte foi recusada e não pode ser exposta, mesmo sendo defendida por Duchamp, Arensberg e outros diretores cientes de sua proveniencia de propósito ardorosamente. O time de Duchamp renunciou o comitê, Fonte jamais foi vista em público e reza a lenda que um dos membros enojados da Sociedade havia destruído a peça para acabar com o dilema “expôr ou não”.
         Eis que… o grande poder das idéias é que não é possível desinventá-las! O famoso fotógrafo Alfred Stieglitz fotografou Fonte (ou fez uma reprodução, que posteriormente desapareceu também!), ato de extrema importância para a história do mundo das artes, pois Stieglitz era dono de uma influente galeria de arte em Manhattan, além de ser um dos fotógrafos mais respeitados do mundo!!!


         A obra tinha sido edossada pelo mundo artístico de vanguarda como uma peça de arte legítima, portanto merecedora de ser documentada como tal por uma importante galeria e por um grande fotógrafo reverenciado. Além disso tudo, a fotografia é a prova documental da existência do objeto!
         Fonte podia ser despedaçada inúmeras vezes, mas bastava algém voltar a loja de mictórios e comprar uma peça e assinar, que pronto, cada um poderia ter sua própria Fonte! De fato isso aconteceu, 15 exemplares de Fonte foram endossados por Duchamp e podem ser encontrados em coleções espalhadas pelo mundo.

         Duchamp cumpriu seu propósito, o de ser o responsável direto do debate eterno “isso é arte?” . Ele acreditava que o artista tinha a mesma função que o filósofo, o de afastar-se do mundo e tentar compreende-lo ou comentá-lo por meio de apresentação de idéias sem nenhum propósito funcional além de si mesmas. O trabalho do artista não era proporcionar prazer estético, para isso que existem os designers.


         Duchamp emergiu da história da arte moderna, ele não a iniciou, pois ela começara antes mesmo que ele nascesse, no século XIX, quando eventos mundiais conspiraram para fazer Paris o lugar intectualmente mais estimulante do planeta, entretanto, com Fonte, Duchamp redefiniu o que era arte e o que poderia ser.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Walter e Louise Arensberg e o Museu de Arte de Filadélfia



[Interior of Arensberg apartment, 33 West Sixty-Seventh Street, New York photographed by Charles Sheeler, 1919. Philadelphia Museum of Art, The Louise and Walter Arensberg Collection, 1950.]


        Colecionadores de arte Walter e Louise Arensberg foram amigos dos artistas mais importantes do século 20, e como tal, desempenharam um papel fundamental na formulação e promulgação de idéias e atividades artísticas de vanguarda nos Estados Unidos. Walter Arensberg (1878-1954) nasceu em Pittsburgh, Pensilvânia, o filho mais velho de Conrad Christian Arensberg e sua segunda esposa, Flora Belle Covert. O pai de Walter foi presidente e proprietário parcial de uma empresa metalúrgica bem sucedida, em Pittsburgh. Entre 1896 e 1900, Walter frequentou a Universidade de Harvard, formou-se em Filosofia e Inglês. Após a formatura, ele viajou para a Europa, onde passou pelo menos dois anos. Em 1903, ele retornou para Harvard, como estudante de pós-graduação. Ele não completou a sua licenciatura, mas mudou-se para Nova York para trabalhar como repórter 1904-1906.


       Louise Arensberg (1879-1953) nasceu Mary Louise Stevens, em Dresden, Alemanha, seu pai era John Edward Stevens e sua mãe Harriet Louisa. Em 1882, a família mudou-se para Ludlow, Massachusetts, onde o pai de Louise trabalhou no negócio de fabricação têxtil de seu sogro, a fortuna acumulada por Louise seria usada para financiar a coleção de arte dos Arensbergs '. Louise estudou música e terminou a escola em Dresden. Em 26 de junho de 1907, ela se casou com Walter, um colega de classe de Harvard de seu irmão Sidney.


      Inicialmente, o casal estabeleceu-se em Cambridge, Massachusetts, onde adquiriram e renovado Shady Hill, a antiga casa de Henry Wadsworth Longfellow e mais tarde Charles Eliot Norton. Lá, Walter seguiu sua carreira como poeta, publicando seu primeiro volume, Poemas, em 1914. Os Arensbergs viajaram para Nova York em 1913 para ver a Exposição Internacional de Arte Moderna (Armory Show), onde Walter adquiriu uma litografia Edouard Vuillard. Mais comprou uma litografia de Paul Cézanne e Paul Gauguin, bem como uma pequena pintura de Jacques Villon. Daí em diante, os Arensbergs iria dedicar o seu tempo, energia e dinheiro para acumular uma coleção seminal da arte do século XX.

      Em 1914, os Arensbergs mudou para Nova York, alugando um apartamento na 33 West 67th Street. Entre 1915 e 1921, eles coletaram cerca de mais 70 obras de arte, incluindo os de vários artistas de vanguarda franceses e norte-americanos que eles ajudaram. Os Arensbergs tornam-se particularmente próximos a  Marcel Duchamp, que viveu em seu apartamento durante o verão de 1915, enquanto passavam férias em sua casa de verão em Pomfret, Connecticut. Eles se tornariam clientes habituais  ao longo da vida do artista e formam a maior coleção, mais significativo do seu trabalho.

     Durante estes anos, o apartamento dos Arensbergs servido quase todas as noites como um local de encontro de artistas, intelectuais e escritores, incluindo John Covert, Arthur Cravan, Jean e Yvonne Crotti, Charles Demuth, Marcel Duchamp, Albert Gleizes, Mina Loy, Allen e Louise Norton, Francis Picabia, Henri-Pierre Roché, Pitts Sanborn, Morton Schamberg, Charles Sheeler, Joseph Stella, Wallace Stevens, Elmer Ernst Southard, Carl Van Vechten, Edgard Varèse, William Carlos Williams, e Beatrice Wood. Através destes intercâmbios intelectuais surgiram esses movimentos de arte importantes e desenvolvimentos como New York Dada, a Sociedade de Artistas Independentes, e os outros Grupo de poetas. Entre essas influências, Walter seguiu o seu interesse na poesia e seu outro interesse literário, criptografia. No início de 1921, ele publicou A Criptografia de Dante, e no ano seguinte a Criptografia de Shakespeare. Walter procurou interpretar ambos os autores por meio da análise de trocadilhos, acrósticos e anagramas. Para o resto de sua vida, Walter avidamente perseguida a controvérsia Shakespeare-Bacon, na esperança de usar criptografia para estabelecer evidências incontestáveis ​​de que Sir Francis Bacon foi o verdadeiro autor do Shakespeare, tanto de peças de teatro, poemas e outros escritos.

      Em 1921, após a insistência de Louise, o casal mudou-se para Hollywood, Califórnia. Enquanto o movimento foi originalmente destinado a ser temporário, os Arensbergs permaneceu na Califórnia para o resto de suas vidas, retornando a Nova York para apenas um ano entre 1925 e 1926. Em setembro de 1927, os Arensbergs comprado sua casa permanente em 7065 Hillside Avenue.

      Uma vez na Califórnia, os Arensbergs rapidamente restabelecida a sua importância no mundo da arte. Em 1922, eles começaram a emprestar obras para galerias e museus para exposições. Eles sentiram fortemente que o público deve ter a oportunidade de ver as obras e, portanto, foram muito generosos em fazer empréstimos, limitando, mas nunca cessando a sua cooperação, salvo apenas após várias de suas obras serem danificadas. Sua casa Hillside Avenue também serviu como um museu ad-hoc. Quase qualquer um que pedisse permissão era  concedida uma visita a sua casa para ver a sua colecção de arte. Os Arensbergs também desempenharam um papel ativo em muitas associações de arte. Walter serviu como um dos membros da diretoria da Associação de Arte de Los Angeles (1937), Los Angeles County Museum (1938-1939), e do Museu Southwest (1944-1954). Além disso, ele era um membro do conselho fundador da curta duração Artes Americanas em Acção (1943) e do Instituto de Arte Moderna, Beverly Hills (1947-1949), organizações dedicadas à mostra de arte moderna na Califórnia. Os Arensbergs estavam entre os maiores apoiadores do Institudo de Arte Moderna, emprestando generosamente suas peças de coleção para  exposições e de apoio financeiro. Apesar disso, e com o apoio de muitos notáveis ​​de Hollywood, incluindo Vincent Price e Edward G. Robinson, o Instituto falhou.

      Através dos anos 1930 e 1940, os Arensbergs continuou a construir a sua colecção de arte, a compra de arte não-ocidentais, artefatos principalmente modernos, bem como alguns tapetes orientais, pinturas bizantinas e renascentistas e arte popular americana. Eles expandiram sua coleção moderna para incluir obras de surrealistas, como Max Ernst e Salvador Dalí; o Azul-Four (adquirida através de agente americano do grupo Galka Scheyer); e artistas mexicanos contemporâneos, incluindo Diego Rivera e Rufino Tamayo. Eles também adquiriram alguns trabalhos de  Marcel Duchamp sempre que possível. Além disso, os Arensbergs coletaram peças pré-colombianas de pedra e cerâmica e esculturas, muitos obras comprados de seu amigo e vizinho, o comerciante Earl Stendahl, de 1940 em diante.

Em 1937, Walter Arensberg organizou a Fundação Francis Bacon; um instituto educacional e de pesquisa sem fins lucrativos dedicada ao estudo de Francis Bacon. Em 1939, Walter tornou-se o proprietário legal da Fundação e juntamente a coleção de arte Louise Arensberg, um arranjo agradável para os Arensbergs tanto por razões financeiras e ideológicas. Os Arensbergs sustentaram o chamado método de Bacon para a interpretação da natureza, que também se aplica à interpretação do art. (Walter Arensberg para Kenneth Ross, entrevista inédita, ca. 1948).

Na década de 1940 os Arensbergs começaram a procurar um lar permanente para sua coleção. Em 1944, os Arensbergs assinaram uma escritura de doação com a Universidade da Califórnia, em Los Angeles, que incluía  a estipulação de que a Universidade construísse um museu apropriado para abrigar a coleção em um período de tempo especificado. No outono de 1947, era óbvio que esta condição não seria cumprida e que o contrato foi anulado. Os Arensbergs então começaram  negociações com numerosas outras instituições, incluindo o Instituto de Arte de Chicago, o Denver Art Museum, Universidade de Harvard, a Academia de Artes de Honolulu, o Instituto Nacional de Bellas Artes (México, DF), a Galeria Nacional, o Museu de Filadélfia de Arte, o Museu de San Francisco da arte, da Universidade de Stanford, da Universidade da Califórnia, Berkeley, e da Universidade de Minnesota. Os Arensbergs eventualmente  exigiam que o destinatário da coleção também desse continuação a Fundação Francis Bacon de Walter. Após longas discussões e muitas visitas de Director Fiske Kimball e sua esposa Marie, os Arensbergs apresentaram sua coleção de mais de 1000 objetos para o Museu de Arte de Filadélfia em 27 de dezembro de 1950. Em 25 de Novembro de 1953, Louise morreu de câncer. Walter viveu apenas alguns meses a mais, vindo a falecer em 29 de janeiro, 1954 a partir de um ataque cardíaco. Nem viveu o suficiente para ver a abertura de sua coleção no Museu de Arte de Filadélfia em 16 de outubro de 1954.


Alguns Poemas de Walter Conrad Arensberg 


Dialogue

Be patient, Life, when Love is at the gate, 
And when he enters let him be at home. 
Think of the roads that he has had to roam. 
Think of the years that he has had to wait. 

But if I let Love in I shall be late. 
Another has come first -- there is no room. 
And I am thoughtful of the endless loom -- 
Let Love be patient, the importunate. 

O Life, be idle and let Love come in, 
And give thy dreamy hair that Love may spin. 

But Love himself is idle with his song. 
Let Love come last, and then may Love last long. 

Be patient, Life, for Love is not the last. 
Be patient now with Death, for Love has passed. 
...

Song Of The Souls Set Free 

Wrap the earth in cloudy weather 
For a shroud. 
We have slipped the earthly tether, 
We’re above the cloud. 
Peep and draw the cloud together, 
Peep upon the bowed. 

What can they be bowing under, 
Wild and wan? 
Peep, and draw the cloud asunder, 
Peep, and wave a dawn. 
It will make them rise and wonder 
Whether we are gone. 
...

To Hasekawa

Perhaps it is no matter that you died. 
Life’s an incognito which you saw through: 
You never told on life—you had your pride; 
But life has told on you.
...


Voyage A L'Infini

The swan existing 
Is like a song with an accompaniment 
Imaginary. 

Across the grassy lake, 
Across the lake to the shadow of the willows, 
It is accompanied by an image, 
-- as by Debussy's 
"Reflets dans l'eau". 

The swan that is 
Reflects 
Upon the solitary water -- breast to breast 
With the duplicity: 
"The other one!" 

And breast to breast it is confused. 
O visionary wedding! O stateliness of the procession! 
It is accompanied by the image of itself 
Alone. 

At night 
The lake is a wide silence, 
Without imagination. 
...





Fonte:
Kuh, Katharine. "Walter Arensberg e Marcel Duchamp." O Open Eye: In Pursuit of Art (Nova York, 1971): 56-64.

Naumann, Francis M. New York Dada, 1915-1923. (Nova Iorque: Abrams, 1994).

Naumann, Francis M. "Walter Conrad Arensberg: Poeta, Patron, e Participante no New York Avant-garde".Philadelphia Museum of Art Bulletin, xxvi.328 (1980): 2-32.

Sawelson-Tojo, Naomi. "Arensberg." O Dicionário Grove de Arte em linha, ed. L. Macy (acessado 14 de dezembro de 2001).

Sawelson-Tojo, Naomi. 'Para a falta de um prego': a disposição da Louise e Walter Arensberg Collection.(Tese de mestrado, Riverside, University of California, 1987).

Sawelson-Tojo, Naomi. Marcel Duchamp de 'Guarda Silencioso': Um Estudo Crítico de Louise e Walter Arensberg (tese de doutorado, Santa Barbara, University of California, 1994).

http://www.poemhunter.com/walter-conrad-arensberg/poems/

http://armory.nyhistory.org/a-couple-collects-louise-and-walter-arensberg/

Joseph Stella - versatilidade artística muito além da Ponte do Brooklyn



Brooklyn Bridge - FUTURISMO - 1918



JOSEPH STELLA (1877-1946)


     "Joseph Stella, um modernista que explorou vários estilos e temas, é mais conhecido por suas imagens da ponte do Brooklyn. Ele nasceu em Muro Lucano, Itália em 1877. Depois de crescer na Europa, ele veio para os Estados Unidos em 1896 para estudar medicina. No entanto, Stella rapidamente abandonou seus estudos de medicina e transformou em vez de arte, estudando com William Merritt Chase na escola de arte de Nova Iorque. De 1905 a 1909, trabalhou como ilustrador, publicando seus desenhos realista em revistas. Um desenhista notável, ele fez desenhos durante as várias fases de sua carreira. Stella começou como um realista acadêmico, mas sua obra é em estilo modernista, notável por suas linhas arrebatadoras e dinâmicas. Stella voltou para visitar a Itália em 1909 e tornou-se associado com os futuristas italianos; Ele começou a incorporar princípios futurista em sua arte. O Armory Show de 1913, no qual participou Stella, podem ter desde ele com maior impulso fazer experiências com estilos modernistas. 


Em Nova York durante a década de 1920, Stella ficou fascinado com a qualidade geométrica da arquitetura da baixa de Manhattan. Nestas obras, ele assimilou os elementos do Cubismo e futurismo (estilo Cubo-futurista). Em sua obra mais conhecida, ele mostra o seu fascínio com as linhas arrebatadoras da ponte do Brooklyn, um motivo ele usou continuamente ao longo de sua carreira. Representações de Stella da ponte do Brooklyn apresentam os cabos diagonais que varrem para baixo com força, fornecendo energia direcional. Enquanto estas renderizações dinâmicas da ponte sugerem a emoção e o movimento da vida moderna, nas mãos de Stella a imagem da ponte também se torna um ícone poderoso da estabilidade e da solidariedade. 

Na década de 1930, Stella trabalhou no projeto arte Federal e mais tarde viajou para a Europa, norte da África e das Índias, locais que o inspirou a trabalhar em vários modos. Mudou-se de um estilo para a próxima, de realismo à abstração ao Surrealismo. Ele executou temas cidade abstrata, imagens religiosas, botânica e estudos de natureza, paisagens do Caribe eróticos e sensual, e naturezas colorida de legumes, frutas e flores. Seu desenho industrial forte é evidente em toda a muitos tipos de imagens que ele continuou a fazer ao longo dos anos."

Algumas Obras Organizadas por Estilo
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FUTURISMO

Gênero: Abstrato

Battle of Lights, Coney Island
 Gênero: Cityscape
Luna Park - FUTURISMO - 1913

       Na ponte do Brooklyn, Stella encontrou um assunto que o impressionou, ele disse, "como o santuário contendo todos os esforços da nova civilização da América." Ponte do Brooklyn, sua imagem de assinatura, dirigida as duas correntes estéticas do seu tempo — representação e abstração — sugerindo o significado mais profundo deste ícone arquitectonico moderno. Stella fotografou vários componentes — o labirinto de fios e cabos, o cais de granito e Gothic arches, túneis de passagem e metrô de pedestre, a perspectiva emocionante de arranha-céus de Manhattan — como um padrão abstrato da linha, forma e cor que evoca uma idéia de ponte ao invés de descrevê-lo fielmente. Ainda, como observou um crítico, interpretação de Stella parecia "mais real, mais verdadeiro do que poderia ser uma transcrição literal da ponte". Uma "transcrição literal" poderia ter representado somente sua aparência, a impressão que ela deixou em cima da retina de Stella. Uma versão futurista poderia também conta para impressões mais subjetivas, as sensações físicas e psicológicas que produziu sobre o artista.

Brooklyn Bridge - FUTURISMO - 1920

Parece a mesma tela de cima, mas não é!!! Também fiquei olhando tipo... coloquei em duplicata com tratamentos diferentes?? aí fui conferis na galeria de arte e vi que não é a mesma pintura. Já deu pra notar que a ponte do Brooklyn é definitivamente uma paixão, uma fone de inspiração inesgotável e quiçá obsessiva para Stella!

Brooklyn Bridge - FUTURISMO
 Night View of Brooklyn Bridge - FUTURISMO


Legendas conforme telas:
1. Bridge - FUTURISMO - 19202. Bridge - FUTURISMO - 19363. The Brooklyn Bridge - FUTURISMO - 1939

       O tema do poder tecnológico e industrial dos Estados Unidos, consubstanciado na obra-prima de engenharia da ponte do Brooklyn, foi um que Stella explorou várias vezes.

       A composição total de chamadas de ponte à mente um retábulo (estrutura ornamental em pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior de um altar [Dependendo da fase a que pertence a igreja e, portanto, do estilo, o retábulo pode apresentar colunas ou pilastras, coroamento em arco, revestimento em talha dourada e policromia, ornatos fitomórficos (cachos de uva, folhas de parreira, acanto, p.ex.), figuras de anjos etc.].). Arco maciço cabos para cima e nós vislumbram através das arcadas, arranha-céus, cidade indistinta. Emoldurando o fundo da pintura (como uma Predella, a base de um altar) são preto, cinza, azul elétrico e luminoso amarelo círculos representando metrôs — as veias e artérias que ligam os habitantes da vasta paisagem de Nova York.

By-Products Plants - FUTURISMO 

Factories - FUTURISMO

Metropolitan Port - FUTURISMO
.
PRECIOSISMO
Serenasse Christmas Fantasy

Futurist Composition


Flowers, Italy

Apotheosis of the Rose


The Virgin

Tree of My Life

The Red Hat - genre painting - 1924


The Amazon - Postaria - 1925


 PINTURA SIMBÓLICA


A Vision


 Fonte: http://www.wikiart.org/en/joseph-stella/battle-of-lights-coney-island#close
 Fonte: http://www.phillipscollection.org/research/american_art/bios/stella_j-bio.htm













Dica e reflexões: ISSO É ARTE? de Will Gompertz





Depois de um bom tempo off, eu volto  e agora pra valer!

Tomei vergonha na minha cara, larguei o iPad e comecei a ler um livro em papel, confesso minha satisfação imensa em fazer isso, como se tivesse me auto-resgatando! A vista não ficou cansada como fica mediante um monitor e pude grifar o livro à vontade!!!  Rolou algo mágico em ter o livro em papel nas mãos e sobre um tema que eu gosto muito: Arte!

Isso começou ontem quando estava procurando alguma pós-graduação sobre o fotografia ou/e arte e de súbito, os livros  novinhos em folha, encostas num canto qualquer começaram a me chamar: "Ei! Psiu! leia-me aqui!" Atendi o chamado e confesso meu encantamento completo!

Tá, e daí?
Daí que sairão desta data (21.09.2015) em diante (até acabar o livro, eis a meta), diversas postagem com este tema, o livro inspirador se chama ISSO É ARTE? de Will Gompertz; vou fazer um revival dos meus tempos acadêmicos (#aloka) e a cada capítulo do livro lido, vou destrinchar os temas e artistas citados, criando uma espécie de resenha do capítulo (mas nada pretensioso, algo leve, pois tenho que comer muito arroz com feijão ainda nesta vida artística!!!), e me aprofundando um pouquinho mais no trabalho dos artistas citados.
Serão diversas postagens, com diversos temas, nada quadrado como "ISSO É ARTE? cap 1", não.
O que irei fazer é colocar uma tag IEA? a fim de localizar o povo.


Esse livro é brilhante, de leitura leve, divertida e repleta de conteúdo! Aconselho adquirir o seu!! (que cara de merchã ficou isso rs!)

Logo de cara ele tem esta linha do tempo da arte, como uma linha de metrô, para poder se localizar! 

Show!



Segundo o próprio livro, está lá na contra capa!!! Você vai aprender:
- Que arte conceitual não é uma bobagem
- Que Picasso é um gênio (mas que talvez Cézanne talvez seja melhor)
- Que Pollock não era um picareta
- Que não há cubos em cubismo
- Que um mictório mudou os rumos da arte
- E por que seu filho  de cinco anos na verdade não sabe fazer melhor que os artista

Deliciosamente promissora esta leitura, não??



Will Gompertz

"Will Gompertz é o melhor professor que você já teve."
The Guardian
 
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